O artista circense e ator Benjamin Bruno do Carmo vê a cidade como o palco perfeito para a realização de seu sonho: a criação de um circo-escola para desviar jovens e crianças do caminho do crime e manter viva a tradição circense.
Mineiro, Bruno Edson, como é conhecido no mundo do circo, deu suas primeiras cambalhotas em Franco da Rocha, cidade que veio morar acompanhado dos pais, quando tinha cinco anos de idade. Ainda muito novo, o menino de Itajubá já sabia o que gostaria de ser quando crescesse. “É isso que eu quero ser. Quero ser artista de circo”, recorda as palavras ditas aos pais enquanto assistia a um espetáculo no circo Nhô Pai.
Depois de assistir a muitos espetáculos – e de insistir muito com os pais, o pequeno Bruno, de oito anos, conseguiu o aval para seguir a profissão e, aos oito anos, passou a viver no picadeiro.
Sessenta anos passaram. Mas a paixão pelo circo continua. Todas as quartas-feiras, no Centro Cultural de Caieiras Isaura Neves (Cecin), o artista morador da Vila Marcelino passa um pouco de sua sabedoria para 57 alunos, das mais variadas faixas etárias. “Ensino números de chão como malabares, pratos bailarinos, monociclo, rola-rola e bambolê. Tem pais que vem trazer os filhos e acabam participando das aulas”, diz.
Ensinar a arte circense não é uma experiência nova para Bruno Edson, que já trabalhou no circo da família do ex-Trapalhão Dedé Santana e tem no seu currículo participações em filmes como Carandiru e Menino Arco-Íris, de Ricardo Bandeira. “Em um circo escola é possível ensinar todas as técnicas circenses para 200 aprendizes”, diz Bruno, que passou mais de 10 anos de sua carreira lecionando em circos-escola na capital.
O show tem que continuar
Diferentemente dos tempos de ouro vivenciados por Bruno Edson quando começou sua carreira artística, fazer circo hoje em dia tem sido uma tarefa cada vez mais difícil no Brasil. “O circo passa por dificuldades porque o governo exige muitos laudos e alvarás de funcionamento. Obter esses documentos é caro, e como o valor da bilheteria é baixo, as despesas acabam sendo maiores que o lucro”, lamenta. Segundo o artista, a qualidade das atrações de hoje é baixa devido à quebra de uma tradição transmitida de geração a geração. “O espetáculo piorou por causa da qualidade dos artistas. Companhias tradicionais como Vostok, Circo Garcia e Orlando Orfei não existem mais devido ao fim da tradição. Outro problema é que o circo parou no tempo”. Para ajudar a solucionar essa situação e ainda levar lazer às crianças, jovens e adultos, Edson tem negociado com autoridades locais a criação de um circo-escola em Caieiras. “O projeto está sendo elaborado de acordo com as possibilidades dadas pela Prefeitura. Espero que até o início de 2010 tenhamos tudo pronto para formar jovens artistas adaptados ao dias atuais”, conclui.